20 de janeiro de 2006

Hoje



Hoje morreu
Um cultor
De poéticas perenes.
Ninguém o soube,
Hão de saber um dia,
Sentirão mais
Do que se nesse instante
Soubessem que alguém
De tal porte partiu.

Morreu
Um qualquer
Como tantos,
Sem posse de matéria
Que o dignificasse
Ante os seus,
Sem o tesouro
De uma amizade real,
Ascendência
E descendências abjetas,
Sem amor
Que valesse lembrar,
Ao seu entorno
Apenas carpe
A fiel companheira
De todo sempre,
Sua amarga solidão.

Hoje morreu
Uma insanidade
Que ousou
Propagar versos,
Cantar palavras,
Semear sentimentos,
Persistiu
Menino acordado
A engenhar sonhos.

Morreu
Uma abominável
Anomalia
Que não antevia
Meio palmo
Além da sua inocência
De espírito,
Um corpo que
Vestia todas as almas,
Pasteurizava dores,
Vertia vida.
Um pintor que matizou
O desvario cotidiano.

Hoje morreu
Uma pobre
Rica humanidade
Que redimiu
Com gênio e arte
A espécie inculta
Que o pariu.

5 comentários:

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