19 de maio de 2006

Não exijas


Não exijas
Dos meus lábios
O sorriso espontâneo
Que não flui.
.
Não ponhas
Em minha boca
A palavra de amor
Que não te ouso.
.
Se meus olhos
Não refletem
A luz
De teu sentimento
Não faças
Pouco de mim,
Sempre soubeste
Não sei mentir.
.
Terna companheira
De minhas tantas vidas
Não me culpes
Pela indigente
Emoção ...
.
Não me culpes
Pelo tão pouco
Que te dou ...

15 de maio de 2006

Muito triste ...


Estou muito triste ...
Esta que me arrebata
Vem-me sem causa aparente,
Obscurece-me a consciência
E não atino o porquê.
.
Quem sabe
Tal visita inoportuna,
Ao meio-dia de minha lucidez,
Advenha por todas
Responsabilidades
Que me abatem em pleno vôo
E não me dou.
.
Neste instante,
Quem quer que fosse,
Tendo o que tenho,
Teria todos motivos do mundo
Para sentir o oposto que sinto.
.
Mesmo assim mina dos meus olhos
O sal deste instante
E uma dor lancinante crispa,
Meu espírito e corpo,
Paralisa-me e pesa-me além do possível
O segundo que há de vir,
Sou vísceras expostas ...
.
Sim ...
Mesmo tendo, o que para mim é tudo,
O melhor que meu querer
Diverso e avesso
Possa querer.
.
Minhas humanas poesias,
Minhas expressões poéticas,
O doce canto da latina diva que amo,
Velocinos d'ouro de minh'alma.
.
Ainda assim ... sinto-me,
Visceralmente, ultraje às dores
Reais do mundo,
Descomedidamente, triste.