
Quem te conferiu o direito
De te desfazeres do que não te pertence?
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Quem te denominas para que te ocorra
Se é muito ou pouco o que te dou?
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Saiba,
Atente bem para isto,
Pobre alma rica em soberba,
Que teu coração sou Eu,
Tua mente uma fração ínfima da minha,
Tua sensibilidade sou Eu que te dou
Até a limite em que a possas suportar,
Tua vida, a que veio,
Que por enquanto não te há,
Teu destino,
Só a terá
Quando não mais fores o que te supões.
Não és dono nem dos teus membros
Quanto mais dos teus escritos.
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Dispa-te das tuas dores,
Negues-te por vidas outras,
Não te cales ante à blasfêmia e injustiça,
Semeie sonhos em meio ao deserto que escalda,
Mesmo que colhas blasfêmia.
Um dia teu verbo regará sementes de luz
Em áridos corações, até em baldias cidades,
Tuas palavras saciarão a sede
Dos mais húmiles espíritos.
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Então,
Morando Eu ainda em ti,
Sim, serás
Tão grande quantos poucos foram
E te revelarás
Enfim
Quem és.